Processo ou procissão


sem título
Camila aranha
Múltipla exposição em cor, 35mm
Círio, 2011

Processo ou Procissão é uma proposição, se lança sobre a ideia de construção de uma materialidade que surja do esforço coletivo, por entender o círio como corpo constituído pela mesma dinâmica.. no círio de nazaré, milhões se movem e são movidos pela fé, fé que arrasta a multidão durante horas, dias. a multidão constroí o círio, as pessoas e sua fé dão forma a este fenômeno que tantas lentes desejam captar… a fotografia é processo, ainda que Bazin afirme certeiramente a genêse automática da fotografia, esta se limita ao input, ao momento no qual os haletos de prata queimam em uníssono diante do apertar do disparador – quantas camadas estão para além disso? Denis Rcoche ao falar do auto retrato destrincha sabiamente como nesta técnica todos os momentos anteriores ao input também são captados na superfície da película… se pensarmos em Stieglitz, e concordarmos com sua defesa do caráter artístico da fotografia, na qual iguala o laboratório do fotógrafo ao atelier do artista temos que acrescentar ainda todas as etapas posteriores a captura… a fotografia é sempre um processo que não se encerra no instante da captura… em Processo ou Procissão atestamos esse caráter, reforçamos essa dinâmica e propomos o processo como construção coletiva, analogamente ao nosso motivo… se o objetivo é falar da procissão, tentamos o processo, e se a procissão é multidão em ação, tentaremos o maior números de braços para manipular os pincéis… eliminamos a câmera pois com ela é o fotógrafo e o mundo, neste caso (aqui proposto), o mundo, ou seu duplo, se apaga na medida em que os indivíduos juntos o pincelam, não mais a luz do real, mais a do possível. o mundo vira outro, nossa imagem fotográfica inicial é tão fotográfica quanto a final, sendo que na última muitos terão sido os fotógrafos, como muitos são os romeiros.

txt – hug nasc

quinta, 20 de setembro

Processo ou Procissão
Propositor – Câmera Aberta
Técnica – revalador d76 sobre papel PB work tetenal
ano 2012

Resíduos do processo, ou registros

do que mais merece ser dito:

este trabalho foi exposto, ou melhor, realizado, na Galeria Theodoro Braga, na Exposição Círio Nosso de Cada Dia, aberta até dia 31 de outubro, com curadoria de Guy Veloso, a quem agradecemos o convite, a ele e a Cinthya Marquez, que nos indicou como possiveis expositores… somos gratos também a Eliane, Jõao e Clau, pela força e paciência na montagem da obra, demos trabalho, desculpas por isso 🙂 … ficamos muito felizes com o resultado do processo, ou do processo como resultado, em ver que a proposição deu certo, a medida em que os diversos individuos presentes na galeria interagiram e contribuíram com seus traços para a formação do todo, da imagem fotográfica que ficou, escrita de luz coletiva, processual, somos gratos a todos que participaram do processo, todos tão autores quanto nós, nós que somos todos, de acordo com cada processo… neste vários foram os fotógrafos. nosso processo é de alargamento.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: