Oficina câmera escura- Ilha do cumbu 01/07

 

Do que eu aprendi 01

Aprendi que não importa o quanto tu sabes sobre uma coisa. sempre tem um monte de coisa que não tu não sabes, e que outros sabem, as vezes sem saber, ou perceber que sabem. Conheci e reconheci crianças espertas, inteligentes, que te cansam na mesma medida que te fortalecem, pensamos ter ido transmitir um conhecimento (o que fizemos) e fomos surpreendidos pelo “rebote” (o que recebemos). É como camila ja havia falado antes, quando estavamos nos primeiros dias da oficina na terra firme, “Tudo fez sentido pra minha vida agora com licenciatura”, senti isso de alguma forma nesse sábado no cumbu. Arte-vida, oficina-ação, a experiência do ensino é uma experiência de troca, que só é hierarquizada quando as linhas de força levam a um lugar mais de um que de outro, mas as linhas de força mudam, e um menino de 10 anos vira pra mim e fala “égua! perdi pra mim!” e eu digo “É, perco mesmo”… é sempre troca, e se não é sempre de uma horizontalidade relacionalmente fluida, deveria sempre ser… seguiremos por ai, rumo ao interior, pois a revolução começa no interior, para cubanos e budistas.

 

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Do que eu aprendi 02:

 

De repente estávamos lá. atravessando o portal de água de rio e adentrando as matas de um igarapé pelo preço de três moedas de um real. “bar do careca!!!” grita o moço que guia o pôpôpô… e de repente novamente estávamos nós, sentados, em círculo. cada um com seu papel cartão na mão, do biguzão à pequena princesinha Isis que ainda na sua fase de absorção absurda cortava e dobrava errado mas passava cola no papel como ninguém. todos juntos construindo a câmera de fotografia viva, que não gruda no papel mas existe a partir de um ponto de luz batendo no papel de seda, revelando a verdadeira imagem do mundo invertido que no meio da magia que eles nos ensinavam a cada gesto fazia tudo desvirar e parecer simples, claro… e livre. este rio é a rua deles. e também de repente começo a entender como a coisa leva uma lógica completamente diferente da minha, da nossa, que no final das contas é capaz de construir essa ponte de troca onde os dois estão dispostos a propôr com humildade, emoção e, acima de tudo, a doce liberdade de se relacionar. o desfecho se dá com grandes planejamentos ente crianças e “adultos” sobre como estender a experiencia… e dando o tchau daquele jeito: uns de cada lado da ponte, prontos para atravessa-la novamente, doidos para voltar o quanto antes.

já sinto saudades 🙂

 

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Do que eu aprendi 03:

 

Três sem saber onde ir em um porto, assim começa a nossa saga: Perdidos. Procuramos lugares para ir e pensamos em como poderíamos encontrar quem quisesse,assim do nada ,participar de uma oficina… logo lembramos da nossa querida ilha, situada do outro lado da cidade, a ilha do cumbu. Então pegamos um barco, logo no começo nos direcionamos para um lugar desconhecido chamado “ Bar do careca”. Ainda cedo paramos no ‘careca’ e pensamos logo nas comunidades próximas e em crianças que poderiam querer aprender a construir uma câmera escura… enfim conversamos muito com o seu careca, dono do bar, e ele nos levou até uma casa que ficava ao lado, atravesamos um pequeno igarapé seco e estavamos lá.

Chegamos de mansinho, conversando com um aqui outro lá e logo percebemos que havia interesse… Foi tudo fluindo de uma maneira… que… sentamos, conversamos, pegamos os materiais e tudo foi correndo rápido como a tarde.

Crianças e as suas mágicas, sua inteligência, é surpreendente como todos ali entendiam e captavam muito bem cada instrução, todos lindos, bem sapecas, nos cansando, mas deixando sempre nesse cansaço uma enorme rastro de felicidade.

Assim terminamos nossa jornada de autonomia, auto-gestão e muito amor, todos com suas câmeras escuras, observando o céu, observando um ao outro, sempre muito curiosos e muito barulhentos, mas com um sorriso daqueles de derreter a gente.

E no fim do dia, já sem as câmeras, tomamos banho de igarapé, escutando suas estórias de matinta, seres desconhecidos da floresta e suas habilidade de gente grande no futebol. Já na escuridão conhecemos seus animais de estimação e suas avós… assim, no final, nos despedimos… atravessando aquele igarapé seco, ficando cada um do lado oposto ao outro, mas com a promessa de voltar…apertou o coração.

 

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